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Introdução
A escatologia é frequentemente desvirtuada. Ainda assim, é de fundamental importância para se obter uma cosmovisão bíblica inconfundível. Embora sejamos criaturas limitadas pelo tempo(1) e pelo espaço(2), Deus pôs a eternidade nos nossos corações(3). Por isso, temos um interesse inato no que concerne ao futuro, o que na prática afecta também a nossa vivência no presente.
A preocupação com a escatologia tem tomado formas diferentes, consoante os grupos em que ela é abordada. Dentro dos círculos cristãos conservadores, relaciona-se com a ordem dos eventos ligados com a segunda vinda de Cristo.
Os conservadores atingiram um consenso acerca dos aspectos principais da escatologia já no início do século XX. No entanto, dentro desse esquema geral, onde existe consenso, existem múltiplas variações, que se centram, em primeiro lugar, na questão da existência ou não de um tempo milenar.(4)
Aos que respondem afirmativamente, dizendo que é inexorável que haja um tal período, é preciso esclarecer se Cristo virá no começo ou no fim dele. Entre os que acreditam que Jesus virá antes do começo do milénio, alguns entendem que a Igreja passará por um período de angústia severa, o chamado período da «Grande Tribulação»; outros acreditam que a Igreja será removida do Mundo ou «arrebatada» antes da tribulação. Estas duas posições e as designações respectivas foram resumidas por Erickson Millard, cujo contributo recolhemos, do seguinte modo: «Na teologia cristã, ao longo dos anos, tem havido discussão considerável acerca da relação cronológica entre a segunda vinda de Cristo e alguns outros elementos. Em particular, essa discussão tem girado em torno de dois assuntos principais:
– Haverá um milénio, um reinado terreno de Jesus Cristo e, caso sim, a segunda vinda ocorrerá antes ou depois desse reinado?
A ideia de que não haverá reinado terreno de Cristo é denominada amilenismo.
O ensino de que a volta de Cristo inaugurará um milénio é denominado pré-milenismo enquanto a crença de que a segunda vinda encerrará o milénio é o pós-milenismo.
– Cristo removerá a Igreja do mundo antes da grande tribulação (pré-tribulacionismo) ou ele só voltará após a tribulação (pós-tribulacionismo)?
Esta segunda pergunta é encontrada principalmente no pré-milenismo.»(5)
Nesta breve introdução deixamos um resumo das três diferentes posições em relação ao milénio:
O pré-milenismo sustenta-se na interpretação de que a segunda vinda de Cristo ocorrerá antes de seu reino literal de mil anos sobre a Terra.
Cristo, depois da sua intervenção vitoriosa na História, reinará pessoalmente a partir de seu trono em Jerusalém, gerando um tempo de paz, prosperidade e justiça.
Os pré-milenistas vêem a era actual como a era da Igreja, separada e nitidamente diferente de Israel no plano de Deus.(6)
No amilenismo há a perspectiva de que o reino milenar de Cristo iniciou-se com a sua ressurreição dentre os mortos e vai durar até ao momento da sua segunda vinda entre as nuvens, no final desta era.
Em nenhum momento Cristo reinará em Jerusalém sobre a Terra. Após a segunda vinda de Cristo, os crentes de todos os períodos da História entrarão no céu, logo depois do julgamento final e individual da humanidade inteira.(7)
Podemos definir o pós-milenismo como a perspectiva de que Cristo voltará no final de um longo período de justiça e prosperidade (o milénio).
Crêem os defensores desta posição que o Reino foi estabelecido por Cristo, na sua primeira vinda, o qual actualmente experimenta uma grande expansão ao ponto de que chegará o momento em que o Cristianismo terá aceitação da maior parte da população mundial. Com efeito, eles aguardam um período futuro durante o qual a verdade revelada será difundida pelo mundo inteiro e aceite pela grande maioria. A Era milenar será um tempo de paz, de prosperidade material, de glória espiritual e de longa duração, embora não seja necessariamente de mil anos exactos. Devido ao facto de ser estabelecido por meios actualmente operantes, o seu início é imperceptível. Alguns pós-milenistas preparam-se para um estabelecimento gradual do milénio; ao passo que outros se preparam para um começo repentino.(8)
À volta destas questões e doutras delas derivadas tem existido, nos últimos tempos, um animado debate.
Vamos tentar perceber qual a posição que, na nossa opinião, tem uma maior sustentabilidade Bíblica.
____________
[1] «O homem, nascido da mulher, é de bem poucos dias e cheio de inquietação. Sai como a flor e se seca; foge também como a sombra e não permanece. E sobre este tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar em juízo contigo. (Quem do imundo tira o puro? Ninguém! Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles. Desvia-te dele, para que tenha repouso, até que, como jornaleiro, tenha contentamento no seu dia» (Jó 14:1-6).
[2] «e de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da Terra, determinando os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação» (Act. 17:26).
[3] «Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração deles, sem que o homem possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim» (Ecl.3:11).
[4] Um reino terrestre de Jesus Cristo durante mil anos.
[5] Erickson, Millard; Introdução à Teologia Sistemática; Edições Vida Nova; São Paulo; 1997; pág. 509
[6] Ice, Thomas; Entendendo o Dispensacionalismo; Edições Actual; Porto Alegre; 2004; pág. 10-11
[7] Ice, Thomas; Entendendo o Dispensacionalismo; Edições Actual; Porto Alegre; 2004; pág. 11[8] Ice, Thomas; Entendendo o Dispensacionalismo; Edições Actual; Porto Alegre; 2004; pág. 12
A preocupação com a escatologia tem tomado formas diferentes, consoante os grupos em que ela é abordada. Dentro dos círculos cristãos conservadores, relaciona-se com a ordem dos eventos ligados com a segunda vinda de Cristo.
Os conservadores atingiram um consenso acerca dos aspectos principais da escatologia já no início do século XX. No entanto, dentro desse esquema geral, onde existe consenso, existem múltiplas variações, que se centram, em primeiro lugar, na questão da existência ou não de um tempo milenar.(4)
Aos que respondem afirmativamente, dizendo que é inexorável que haja um tal período, é preciso esclarecer se Cristo virá no começo ou no fim dele. Entre os que acreditam que Jesus virá antes do começo do milénio, alguns entendem que a Igreja passará por um período de angústia severa, o chamado período da «Grande Tribulação»; outros acreditam que a Igreja será removida do Mundo ou «arrebatada» antes da tribulação. Estas duas posições e as designações respectivas foram resumidas por Erickson Millard, cujo contributo recolhemos, do seguinte modo: «Na teologia cristã, ao longo dos anos, tem havido discussão considerável acerca da relação cronológica entre a segunda vinda de Cristo e alguns outros elementos. Em particular, essa discussão tem girado em torno de dois assuntos principais:
– Haverá um milénio, um reinado terreno de Jesus Cristo e, caso sim, a segunda vinda ocorrerá antes ou depois desse reinado?
A ideia de que não haverá reinado terreno de Cristo é denominada amilenismo.
O ensino de que a volta de Cristo inaugurará um milénio é denominado pré-milenismo enquanto a crença de que a segunda vinda encerrará o milénio é o pós-milenismo.
– Cristo removerá a Igreja do mundo antes da grande tribulação (pré-tribulacionismo) ou ele só voltará após a tribulação (pós-tribulacionismo)?
Esta segunda pergunta é encontrada principalmente no pré-milenismo.»(5)
Nesta breve introdução deixamos um resumo das três diferentes posições em relação ao milénio:
O pré-milenismo sustenta-se na interpretação de que a segunda vinda de Cristo ocorrerá antes de seu reino literal de mil anos sobre a Terra.
Cristo, depois da sua intervenção vitoriosa na História, reinará pessoalmente a partir de seu trono em Jerusalém, gerando um tempo de paz, prosperidade e justiça.
Os pré-milenistas vêem a era actual como a era da Igreja, separada e nitidamente diferente de Israel no plano de Deus.(6)
No amilenismo há a perspectiva de que o reino milenar de Cristo iniciou-se com a sua ressurreição dentre os mortos e vai durar até ao momento da sua segunda vinda entre as nuvens, no final desta era.
Em nenhum momento Cristo reinará em Jerusalém sobre a Terra. Após a segunda vinda de Cristo, os crentes de todos os períodos da História entrarão no céu, logo depois do julgamento final e individual da humanidade inteira.(7)
Podemos definir o pós-milenismo como a perspectiva de que Cristo voltará no final de um longo período de justiça e prosperidade (o milénio).
Crêem os defensores desta posição que o Reino foi estabelecido por Cristo, na sua primeira vinda, o qual actualmente experimenta uma grande expansão ao ponto de que chegará o momento em que o Cristianismo terá aceitação da maior parte da população mundial. Com efeito, eles aguardam um período futuro durante o qual a verdade revelada será difundida pelo mundo inteiro e aceite pela grande maioria. A Era milenar será um tempo de paz, de prosperidade material, de glória espiritual e de longa duração, embora não seja necessariamente de mil anos exactos. Devido ao facto de ser estabelecido por meios actualmente operantes, o seu início é imperceptível. Alguns pós-milenistas preparam-se para um estabelecimento gradual do milénio; ao passo que outros se preparam para um começo repentino.(8)
À volta destas questões e doutras delas derivadas tem existido, nos últimos tempos, um animado debate.
Vamos tentar perceber qual a posição que, na nossa opinião, tem uma maior sustentabilidade Bíblica.
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[1] «O homem, nascido da mulher, é de bem poucos dias e cheio de inquietação. Sai como a flor e se seca; foge também como a sombra e não permanece. E sobre este tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar em juízo contigo. (Quem do imundo tira o puro? Ninguém! Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles. Desvia-te dele, para que tenha repouso, até que, como jornaleiro, tenha contentamento no seu dia» (Jó 14:1-6).
[2] «e de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da Terra, determinando os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação» (Act. 17:26).
[3] «Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração deles, sem que o homem possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim» (Ecl.3:11).
[4] Um reino terrestre de Jesus Cristo durante mil anos.
[5] Erickson, Millard; Introdução à Teologia Sistemática; Edições Vida Nova; São Paulo; 1997; pág. 509
[6] Ice, Thomas; Entendendo o Dispensacionalismo; Edições Actual; Porto Alegre; 2004; pág. 10-11
[7] Ice, Thomas; Entendendo o Dispensacionalismo; Edições Actual; Porto Alegre; 2004; pág. 11[8] Ice, Thomas; Entendendo o Dispensacionalismo; Edições Actual; Porto Alegre; 2004; pág. 12
O Livro
Este livro surgiu como resultado das Convenções de Obreiros das Assembleias de Deus em Portugal, realizadas em Novembro de 2007 e em Abril de 2008, nas quais os temas de reflexão teológica foram o Arrebatamento da Igreja do Senhor e o Milénio, respectivamente.
Ao preparar as minhas intervenções nessas Convenções, fui desenvolvendo a minha pesquisa teológica, que se tornou profícua demais, a meu ver, para se esgotar numa mera intervenção convencional.
Muitos dos obreiros presentes solicitaram, na altura, o material desenvolvido por mim, o que me animou a levar adiante o projecto de escrever um pequeno livro que abordasse os temas em questão.
Neste trabalho pretendo, acima de tudo, trazer mais alguma luz sobre as diferentes abordagens escatológicas ao evento, por muitos esperado, que é a manifestação de Jesus Cristo na sua segunda vinda.
Obviamente, os dois temas em destaque são a questão do reino milenar e do arrebatamento da Igreja.
Espero, por um lado, com sinceridade, que este trabalho possa constituir um contributo salutar para a reflexão de assuntos tão complexos como os que aqui estão em debate; por outro, não pretendo de forma alguma ser ofensivo para com os leitores que não têm deles a perspectiva que aqui sustento, antes que a leitura possa ser esclarecedora e, ao mesmo tempo, um desafio para um melhor aprofundamento dos temas.
O meu desejo é deixar à apreciação do leitor uma defesa afirmativa das minhas convicções Bíblicas, que são também, se bem avalio, as posições reafirmadas pelas Assembleias de Deus em Portugal e no Mundo.
O Autor
Paris, Maio de 2008
Ao preparar as minhas intervenções nessas Convenções, fui desenvolvendo a minha pesquisa teológica, que se tornou profícua demais, a meu ver, para se esgotar numa mera intervenção convencional.
Muitos dos obreiros presentes solicitaram, na altura, o material desenvolvido por mim, o que me animou a levar adiante o projecto de escrever um pequeno livro que abordasse os temas em questão.
Neste trabalho pretendo, acima de tudo, trazer mais alguma luz sobre as diferentes abordagens escatológicas ao evento, por muitos esperado, que é a manifestação de Jesus Cristo na sua segunda vinda.
Obviamente, os dois temas em destaque são a questão do reino milenar e do arrebatamento da Igreja.
Espero, por um lado, com sinceridade, que este trabalho possa constituir um contributo salutar para a reflexão de assuntos tão complexos como os que aqui estão em debate; por outro, não pretendo de forma alguma ser ofensivo para com os leitores que não têm deles a perspectiva que aqui sustento, antes que a leitura possa ser esclarecedora e, ao mesmo tempo, um desafio para um melhor aprofundamento dos temas.
O meu desejo é deixar à apreciação do leitor uma defesa afirmativa das minhas convicções Bíblicas, que são também, se bem avalio, as posições reafirmadas pelas Assembleias de Deus em Portugal e no Mundo.
O Autor
Paris, Maio de 2008
O Autor
O autor nasceu no ano de 1977, em Lisboa, é casado com Sílvia Martins.Em 1996, ingressou no Instituto Bíblico das Assembleias de Deus em Portugal onde realizou a sua formação teológica, e, em 2002, licenciou-se em Ciência das Religiões, variante Teologia Cristã – Ecuménica, pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa.
Ingressou no ministério pastoral em 1998, sendo desde 2006 o pastor da Assembleia de Deus de Língua Portuguesa em Paris.
É membro da Mesa da Assembleia-Geral da Convenção das Assembleias de Deus em Portugal e professor no Monte Esperança – Instituto Bíblico das Assembleias de Deus em Portugal, onde lecciona Ética Cristã e Religiões Mundiais.
O autor tem colaborado como pregador e conferencista em vários países da Europa em especial entre a Lusofonia e Francofonia.
É membro da Mesa da Assembleia-Geral da Convenção das Assembleias de Deus em Portugal e professor no Monte Esperança – Instituto Bíblico das Assembleias de Deus em Portugal, onde lecciona Ética Cristã e Religiões Mundiais.
O autor tem colaborado como pregador e conferencista em vários países da Europa em especial entre a Lusofonia e Francofonia.
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